Pescarias

Relative percentage of maximum captures of Amazon fisheries by regions. The Central Amazon and Estuary are the most productive fisheries regions.

As regiões pesqueiras de importância comercial estão associadas às áreas de elevada produção biológica e as da bacia amazônica, por sua vez, estão relacionadas principalmente às áreas de várzea ou do estuário. Os rios conectam o amplo sistema de várzea com o estuário e formam um ambiente contínuo, que é explotado por pescadores comerciais e de subsistência de cidades e comunidades rurais.

As maiores cidades da Amazônia situam-se normalmente próximas às áreas pesqueiras mais importantes. A produção pesqueira dessas cidades é em geral proporcional à suas populações, mas em algumas cidades esta relação é alterada pela elevada produção pesqueira, como ocorre em Letícia, na Colômbia, Pucallpa e Yurimaguas, no Peru, Iranduba, Itacoatioara e Boca do Acre, no Estado do Amazonas, Brasil, e Vigia, no Estado do Pará, Brasil. Estas cidades funcionam como porto de exportação de pescado, recebendo e enviando peixes para outras áreas urbanas dentro e fora da bacia amazônica. As cidades que exportam pescados possuem frigoríficos e conexões aéreas ou terrestres com outros centros urbanos. Letícia e Iquitos são as duas maiores exceções, pois não tem ligações terrestres com outras cidades importantes. Poucas embarcações de pesca possuem as condições adequadas de higiene para abastecer os mercados internacionais e somente Belém mantém um comércio de pescado regular com outros países fora da América do Sul.

Cidades como Porto Velho, Rio Branco e Marabá, no Brasil, que estão situadas na periferia das principais áreas de pesca comercial da Amazônia, contam com frotas pesqueiras relativamente pequenas. Com a explosão populacional dessas cidades nos últimos trinta anos, o pescado perdeu importância para as carnes de gado e frango. A pesca de subsistência está dispersa pelas principais áreas de pesca comercial da Amazônia. As pescarias de subsistência e comercial estão frequentemente interligadas, especialmente nas áreas de pesca próximas a centros urbanos.

As regiões pesqueiras da Amazônia podem ser definidas relacionando as frotas pesqueiras urbanas que as explotam e as bacias fluviais, ou parte delas, a que estas regiões pertencem. A Região Pesqueira do Estuário é facilmente identificada devido à enorme influência de marés que a delineia. A Região Pesqueira do Baixo Amazonas, no rio Amazonas, se estende da foz do rio Madeira à foz do rio Xingu e é caracterizada pelos extensos lagos de várzea que são explotados principalmente pelas frotas pesqueiras de Santarém e Óbidos. A Região Pesqueira da Amazônia Central é definida principalmente pela atuação da frota de Manaus, o principal centro pesqueiro da região, embora existam várias outras cidades menores que contribuem significativamente para a pesca desta região. A Região Pequeira da Fronteira Brasil-Peru-Colômbia é centralizada na cidade colombiana de Letícia, de onde o peixe é exportado para Bogotá. A Região Pesqueira da Amazônia Peruana abrange os pesqueiros dos rios Amazonas, Marañón, Huallaga e Ucayali, no Peru, cujas pescarias são dominadas pelas frotas de Iquitos, no rio Amazonas, Pucallpa, no rio Ucayali, e Yurimaguas, no rio Huallaga

Como a frota de Manaus domina a pesca nos trechos inferiores (aproximadamente 300 km da foz) dos rios Madeira, Purus e Juruá, estes estão incluídas na Região Pesqueira da Amazônia Central. A Região Pesqueira do Madeira situa-se no rio Madeira a partir da confluência com o rio Aripuanã até a Cachoeira do Teotônio, acima de Porto Velho. A Região Pesqueira do Alto Madeira, na região de fronteira de Bolívia, Peru e Brasil, inclui todos os tributários da planície do alto rio Madeira no trecho acima das corredeiras.

Apesar da importância das pescarias comerciais no Brasil, Peru, Colômbia e Bolívia, poucas cidades Amazônicas desses países coletam dados estatísticos confiáveis. O Peru tem uma longa história de coleta de dados em suas pescarias de anchovas no Pacífico, algumas das mais importantes no mundo. A DIREPE (Dirección Regional de Pesqueria) vem coletando dados regulares de pescarias desde 1980 na região nordeste da Amazônia peruana. Enquanto que na região sudoeste do Peru, centralizada no rio Madre de Dios, a produção pesqueira não é coletada por agências governamentais e sim esporadicamente pelas não-governamentais Conservation International (CI) e Asociación para la Conservación de la Cuenca Amazónica (ACCA). Os dados dos frigoríficos em Letícia, na Colômbia, são registrados desde o ano de 1977 pelo Instituto National de Pesca y Acuicultura (INPA), embora estejam faltando dados para alguns anos.

O Brasil é o maior país amazônico e conta com vários portos de pesca importantes, porém poucos deles mantêm estatísticas de pesca confiáveis. Manaus é a maior cidade da região e a sua produção pesqueira vem sendo registrada desde 1976 por instituições de pesquisas do governo e universidades, embora estejam faltando dados confiáveis para muitos anos. As estatísticas de pesca de Belém são principalmente referentes à frota industrial que explota a piramutaba e o camarão marinho. Os registros datam do início dos anos 1970s e os dados disponíveis foram coletado pelo IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente). Os dados estatísticos da frota local que desembarca em Belém e em outros portos do estuário só estão disponíveis a partir do início dos anos 1990s. Há dados disponíveis de desembarque de pescado em Porto Velho, no rio Madeira, desde o início dos anos 1970s. Este sistema de coleta de dados foi mantido pela Colônia de Pesca para cobrança de impostos.

Os dados de desembarque de pescado disponíveis foram organizados numa base de dados projetada para estimar as produções máximas em cada uma das regiões pesqueiras definidas para a Amazônia. As fontes de dados usadas foram: Museu Paraense Emílio Goeldi; Ministério de Agricultura-Delegacia Federal de Agricultura dos Estados do Amazonas e Pará; IBAMA-Provárzea; DIREP-CTARL, Estatísticas de Recursos Hidrobiológicos, Dirección Regional de Pesquería-Loreto, Consejo Transitorio de Administración Regional Loreto; Colônia de Pesca Z-1, Tenente Santana, Porto Velho; Eletronorte-Centrais Elétricas do Norte do Brasil e Instituto Nacional de Pesca y Acuicultura (INPA). A produção potencial por espécie ou de um grupo de espécies foi considerada como sendo a soma da produção anual máxima por cidade desses peixes. A produção de 30 espécies representou 90% da produção total e apenas seis espécies –curimatã, piramutaba, jaraqui, tambaqui, mapará e dourada– representaram metade deste total.

 

Maximum known annual catch by species (or species groups) based on urban market data.

A soma das produções anuais máximas das 66 cidades analisadas da bacia amazônica, incluindo todas as espécies, totalizou 173.000 tons. Este seria o potencial de produção das principais cidades pesqueiras da Amazônia. De acordo com as estimativas do censo mais recente, existem 7,1 milhões de habitantes nestas cidades. Se o potencial de produção fosse dividido pela população total, o consumo per capita seria de 24 kg/ano ou aproximadamente 600 gramas/dia. Na realidade, o consumo per capita é menor, pois parte da produção é exportada, e a média das produções anuais é menor que a produção máxima estimada.

 As regiões pesqueiras mais importantes são Amazônia Central, Estuário e Amazônia Peruana. O potencial da produção pesqueira dessas três regiões representa aproximadamente três quartos da produção total estimada para as principais regiões pesqueiras da Amazônia. As cidades investigadas dessas três regiões abrigam aproximadamente dois terços da população total de todas as cidades investigadas, ou 4,7 milhões de pessoas. As regiões pesqueiras da Fronteira Brasil-Peru-Colômbia e do Tocantins são responsáveis, cada uma, por aproximadamente 7% do potencial da produção pesqueira da Amazônia, sendo que a região do Tocantins concentra 7% da população analisada e a região da Fronteira Brasil-Peru-Colômbia menos de 1% da população. A maior parte do pescado desembarcado na região da Fronteira Brasil-Peru-Colômbia é exportada.

O potencial de produção de todas as outras regiões pesqueiras representou 7% do total, ou 11.700 tons de peixe. Estas regiões concentram 20% da população total analisada, ou seja, 1.3 milhões de pessoas. O potencial de produção de Purus, Madeira e Alto Madeira, na Bolívia e Peru representou cerca de 2% a 3% da produção total da Amazônia. A região pesqueira do Juruá é a menos povoada (2%) e também conta com o menor potencial de produção pesqueira.