Países amazônicos aprovam Plano de Ação para conservar os bagres migratórios

Países amazônicos aprovam Plano de Ação para conservar os bagres migratórios
março 30, 2026 Gabriela Merizalderubio
30 de março de 2026

Na COP15 da Convenção sobre Espécies Migratórias (CMS), as Partes aprovaram por consenso o Plano de Ação Regional para os Bagres Migratórios Amazônicos, consolidando um novo marco para a conservação dessas espécies.

Conservando la Cuenca Amazónica Aguas Amazonicas

Piramutaba (Brachyplatystoma vaillantii), um bagre amazônico que percorre mais de 6.000 km durante sua migração. Fotografia: © Michael Goulding / WCS

Esta resolução foi proposta pelo Governo do Brasil à CMS e contou com o firme apoio das delegações dos países amazônicos signatários — Bolívia, Equador e Peru —, bem como da União Europeia. Também recebeu o apoio da Venezuela, país não signatário.

Da aprovação dá continuidade ao processo iniciado na COP14, quando a dourada (Brachyplatystoma rousseauxii) e a piramutaba (Brachyplatystoma vaillantii) foram incluídas no Apêndice II da CMS, e permite definir ações concretas e coordenadas em escala da Bacia Amazônica.

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Evento “Pesca e conectividade: Um Plano de Ação Regional para os Bagres Migratórios Amazônicos” com representantes da Aliança das Águas da Amazônia, do Ministério da Aqüicultura e Pesca do Brasil e da OTCA.

Este Plano reflete uma visão compartilhada entre os países amazônicos. 

“Incorporar a conectividade fluvial no planejamento fortalece a proteção da biodiversidade e contribui para o bem-estar das populações que dependem desses rios”, afirmou Rita Mesquita, Secretaria do Ministério do Meio Ambiente do Brasil. 

Durante a plenária, a Bolívia expressou seu apoio à aprovação do Plano de Ação Regional para os Bagres Migratórios Amazônicos. “Este instrumento fortalece a cooperação entre os países amazônicos para a conservação de espécies migratórias fundamentais para a conectividade da bacia e a segurança alimentar”, enfatizou Alejandro Araujo-Murakami, diretor-geral de Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente da Bolívia.

Darwin Córdova, especialista em vida silvestre do Ministério do Ambiente e Energia do Equador, destacou que “A Amazônia Andina desempenha um papel fundamental na reprodução dos bagres migratórios, e o Plano de Ação Regional fortalece a conectividade fluvial e a coordenação entre os países”.

Os grandes bagres migradores percorrem até 11.000 km de ida e volta entre os Andes e o Atlântico. Essas espécies conectam ecossistemas e países e funcionam como sentinelas da saúde dos rios amazônicos. Sua conservação depende da manutenção de corredores conectados entre Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador e Peru, sendo fundamental para sustentar os meios de vida de milhões de pessoas que dependem da pesca na Amazônia.

“Esta resolução reafirma que a conectividade da Amazônia é um desafio compartilhado. Nenhum país pode enfrentá-lo de forma isolada”, afirmou a Dra. Sue Lieberman, vice-presidente de Política Internacional da Wildlife Conservation Society.

O Plano estabelece um roteiro comum para conservar habitats e corredores migratórios, fortalecer o conhecimento científico, indígena e local, e promover práticas pesqueiras sustentáveis, em um contexto de crescentes pressões sobre a conectividade dos rios. Nesse sentido, identifica três ações prioritárias para os próximos 12 meses: 1) conservar os habitats e a conectividade dos rios amazônicos; 2) fortalecer o conhecimento científico, indígena e local; e 3) promover cadeias de valor sustentáveis vinculadas à gestão pesqueira.

Este Plano nos permite passar dos compromissos à ação. 

“Esta é uma oportunidade para fortalecer a colaboração entre governos, academia, sociedade civil, povos indígenas, comunidades locais e associações de pescadores para impulsionar ações concretas”, afirmou o Dr. Zeb Hogan, conselheiro científico da CMS para peixes de água doce.

O presidente da COP15 e secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), João Paulo Ribeiro Capobianco, destacou o papel central da integração entre diferentes formas de conhecimento na construção das políticas de conservação.

“Esse processo mostra a importância de integrar saberes científicos e tradicionais desde a origem das discussões. O que se observa é um reconhecimento crescente de que os saberes tradicionais são altamente qualificados e oferecem um conhecimento muito preciso sobre os ciclos de vida das espécies, suas rotas migratórias, os pontos de passagem e os fatores que impactam suas populações”, acrescentou. “Essa integração entre ciência e conhecimento tradicional vem produzindo resultados muito relevantes e está plenamente alinhada aos objetivos da Convenção, ao ampliar a base de evidências disponível para orientar políticas de conservação mais eficazes”, concluiu Capobianco.

“Desde a Aliança Águas Amazônicas, acompanharemos este processo com ações concretas, promovendo o trabalho conjunto entre governos, cientistas, sociedade civil e comunidades locais”, afirmou Vanessa Rodríguez, presidenta do Conselho Diretivo da Aliança Águas Amazônicas.

Leia o resumo executivo do Plano

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A Wildlife Conservation Society (WCS) combina o alcance de seus zoológicos e aquário na cidade de Nova York com um Programa Global de Conservação em mais de 50 países para cumprir sua missão de conservar a vida silvestre e os ecossistemas naturais. A WCS conduz o maior programa de conservação de campo do mundo, contribuindo para a conservação de mais de 50% da biodiversidade conhecida do planeta, em parceria com governos, povos indígenas, comunidades locais e o setor privado.

Seus quatro zoológicos e aquário (o Zoológico do Bronx, o Zoológico do Central Park, o Zoológico do Queens, o Zoológico do Prospect Park e o Aquário de Nova York) recebem mais de 3,5 milhões de visitantes por ano, inspirando novas gerações a valorizar a natureza. Fundada em 1895 como a Sociedade Zoológica de Nova York, a organização é liderada (desde 1º de junho de 2023) por sua presidente e diretora-executiva, Monica P. Medina.

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