Caquetá-Japurá

A maior bacia dentre os tributários do noroeste da Amazônia é a do Caquetá-Japurá. Este rio tem um comprimento aproximado de 2.800 km sendo o quarto maior tributário do Amazonas.

Cerca de dois terços deste rio drenam através da Colômbia onde é conhecido com Caquetá, enquanto o terço restante se localiza no Brasil onde é denominado de Japurá. A bacia do Caquetá-Japurá tem aproximadamente 289.000 km2 e, entre os tributários, é a nona maior bacia da Amazônia, correspondendo pouco mais de 4% da mesma. Cerca de 80% da bacia se localiza na Colômbia, principalmente nos Departamentos de Caquetá e Amazonas. No entanto, a área total da bacia do Caquetá-Amazonas é englobada por sete Departamentos na Colômbia e pelo Estado do Amazonas no Brasil.

As cabeceiras do Caquetá-Japurá se localizam a cerca de 5.000 km da foz do Amazonas e nascem na Cordillera Oriental da Colômbia que por sua vez se encontra a menos de 100 km da bacia do Magdalena e a somente 250 km ao sul de Bogotá. A precipitação anual varia de 2.300 mm próximo à foz do Japurá a mais de 3000 mm no médio e alto curso do Caquetá. A média anual de precipitação pode chegar a 5000 mm nas encostas andinas. A drenagem do noroeste da bacia do Caquetá-Japurá inclui não somente a alta Cordillera Oriental, mas também uma extensiva região serrana abaixo de 500 m. O médio Caquetá – usualmente definido como a área entre Araracuara e a fronteira com o Brasil – é notável pelo grande número de afloramentos rochosos e cachoeiras.

Desfiladeiros profundos com altas paredes verticais, tais como o Caño de Araracuara, também não encontrados nesta região. Na maior parte de seu percurso, o rio Caquetá forma amplas curvas onde se formam extensas áreas de planícies aluviais. Os últimos 200 km do rio Japurá se juntam com o rio Solimões para formara uma das mais extensas paisagens aquáticas de todo a Amazônia formada por florestas sazonalmente alagáveis onde está localizada a Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Mamirauá no Brasil.

O Caquetá-Japurá é um rio turvo com numerosos tributários de água preta e clara que nascem principalmente nas florestas de baixada. O rio Apaporis, cuja confluência com o Caquetá se localiza na fronteira Brasil-Colômbia, é o maior tributário de águas pretas. O Apaporis é famoso pela beleza de suas cascatas e corredeiras. A flutuação anual do nível do rio tem sido medida por uns poucos anos em Araracuara, no médio Caquetá, e sua média é de aproximadamente 9 m. Nas proximidades dos desfiladeiros, no entanto, estas flutuações no nível do rio podem alcançar 17 m. O rio Solimões controla, em grande parte, a flutuação do nível do Japurá em seu baixo curso, cuja média é de aproximadamente 10 m. A população do Caquetá-Japurá é dominada por esparsos grupos indígenas. A cidade mais populosa do vale do Caquetá-japurá é Florência, a capital do Departamento de Caquetá, com mais de 100.000 habitantes. Araracuara, com cerca de 30.000 habitantes, é a maior cidade do médio Caquetá.

Áreas protegidas

Desde os anos de 1980, o alto e médio Caquetá têm sido controlados pelas guerrilhas colombianas e por traficantes de drogas, reduzindo a colonização nestes setores da bacia. O governo colombiano concedeu os direitos de uso da terra aos grupos indígenas que habitam a maior parte do médio e baixo Caquetá. O governo federal também estabeleceu duas grandes áreas protegidas na região: o Parque Nacional de Chiribiquete na região de encosta Andina e o Parque Nacional de Cahuinari próximo a fronteira com o Brasil.

Usos e impactos

A maior parte da colonização da bacia do Caquetá-Japurá tem ocorrido pela região das encostas andinas ao logo das rodovias entre Mocoa e Florência. O Caquetá-Japurá está entre as bacias com as cabeceiras mais desmatadas da Amazônia Ocidental. A criação de gado e o cultivo da coca são atividades econômicas que estão levando ao intenso desmatamento na região. As áreas colonizadas incluem Araracuara, Puerto Santander e La Pedrera no médio curso do Caquetá. As principais estradas da bacia do Caquetá estão restritas aos setores de encostas. Bogotá está conectada ao Parque nacional Chiribiquete, no Departamento de Caquetá, por uma estrada que atravessa os departamentos de Meta e Guaviare. Os pescadores comerciais do médio Caquetá capturam principalmente bagres que são transportados para Bogotá em aviões de carga. Pescadores da frota de Tefé, um município brasileiro localizado na região do médio Solimões, também pescam na região do baixo Japurá. As planícies aluviais do Baixo Japurá e do adjacente rio Solimões têm sido amplamente desmatadas. Garimpeiros brasileiros têm explorado a região próxima da fronteira Brasil-Colômbia em busca de depósitos de ouro, mas aparentemente o pouco minério encontrado foi insuficiente para impulsionar uma “febre de ouro” na região.