Organizações pesqueiras de grandes bagres de Loreto acordam uma agenda comum para contribuir para a implementação do Plano de Ação Regional para a Conservação dos Grandes Bagres

Organizações pesqueiras de grandes bagres de Loreto acordam uma agenda comum para contribuir para a implementação do Plano de Ação Regional para a Conservação dos Grandes Bagres
setembro 29, 2026 Gabriela Merizalderubio
29 de setembro de 2026
Conservando la Cuenca Amazónica Aguas Amazonicas

Participantes do Diálogo de Loreto. Foto: © Fiorella Briceño / FIU

Organizações de pescadores artesanais e instituições participantes acordaram avançar na articulação das organizações pesqueiras, no monitoramento colaborativo e em outras ações que contribuam para a gestão sustentável dos grandes bagres em Loreto.

Iquitos, setembro de 2026. – Durante o “Diálogo de saberes: Governança para a pesca de grandes bagres em Loreto”, realizado de 21 a 24 de setembro em Iquitos (Peru), organizações de pescadores artesanais e instituições participantes acordaram impulsionar a criação de uma organização regional de pescadores de grandes bagres e avançar na construção de um mecanismo colaborativo de monitoramento pesqueiro em Loreto. Esses acordos buscam fortalecer a representação das organizações pesqueiras, gerar informações sobre essa atividade e contribuir para melhorar a gestão dessas espécies.

O encontro reuniu pescadores de cinco Organizações Sociais de Pescadores Artesanais (OSPAs) e três Associação de Pesca Artesanal (APA), além de representantes da Universidade Internacional da Flórida (FIU), do Instituto do Bem Comum (IBC), da Wildlife Conservation Society (WCS), do Instituto de Pesquisas da Amazônia Peruana (IIAP) e da Direção Regional da Produção de Loreto (DIREPRO-L), no âmbito da Aliança Águas Amazônicas.

Seu objetivo foi promover a troca de conhecimentos e propostas para fortalecer a gestão sustentável dos grandes bagres e criar espaços de articulação entre organizações pesqueiras, instituições técnicas e autoridades. Os diálogos de saberes são espaços participativos voltados à análise e à construção de propostas a partir dos conhecimentos e das experiências das pessoas participantes.

Ao longo das atividades, foi analisada a cadeia de valor dos grandes bagres em Loreto, foram identificados desafios para a sustentabilidade da atividade pesqueira e foram discutidas oportunidades para fortalecer a organização, a formalização, o monitoramento e a comercialização dos produtos pesqueiros.

Os pescadores também participaram de uma capacitação prática sobre boas práticas de manipulação e processamento de grandes bagres no CITE Productivo Maynas. Durante a atividade, elaboraram produtos como filés, hambúrgueres e linguiças, explorando alternativas para gerar maior valor agregado a partir da atividade pesqueira.

Conservando la Cuenca Amazónica Aguas Amazonicas

Treinamento sobre boas práticas de manipulaçõo e processamento de grandes bagres. Foto: © CITE Productivo Maynas

Posteriormente, esses produtos foram apresentados em um espaço de degustação e troca de feedback com o restaurante Ikiitu, em Iquitos. A atividade permitiu reunir critérios sobre qualidade, apresentação e rastreabilidade, bem como conhecer oportunidades comerciais a partir da perspectiva do mercado gastronômico local.

Um dos principais acordos foi impulsionar a criação de uma organização regional de pescadores artesanais de grandes bagres em Loreto. A proposta busca articular as sete OSPAs e uma APA vinculadas a essa pescaria, fortalecer sua representação e facilitar ações conjuntas para melhorar a gestão sustentável dos recursos pesqueiros.

“Na região de Loreto, uma pesquisa da FIU com mais de 70 pescadores de grandes bagres realizada em 2024 mostrou 44 anos de mudanças nesse tipo de pescaria, que indicam uma situação de grande vulnerabilidade, com muitas pressões que não são gerenciadas e uma grande invisibilidade desses pescadores. O único caminho possível para melhorar essa situação é a colaboração e o ordenamento pesqueiro. Este encontro, que é o terceiro com esse grupo de pescadores, está construindo um caminho em direção ao ordenamento e à conectividade para a gestão”, afirmou Vanessa Rodriguez, presidenta do Conselho Diretivo da Aliança Águas Amazônicas.

Conservando la Cuenca Amazónica Aguas Amazonicas

Foto: © Luis Moya / WCS

“Somente quando estivermos juntos poderemos ser mais fortes diante das autoridades nacionais e regionais para apresentar nossas demandas como pescadores do canal central do Amazonas, porque nossa pesca é diferente e bastante desconhecida. Precisamos fazer com que nossa voz seja ouvida”, afirmou Josías Ramírez Cora, da OSPA Los Delfines.

As organizações também acordaram avançar progressivamente na construção de um mecanismo colaborativo de monitoramento pesqueiro e ampliar as pesquisas sobre a pesca de grandes bagres na região. A iniciativa busca gerar informações sobre as espécies capturadas, tamanhos, volumes, áreas e períodos de pesca, além de incorporar as observações e os conhecimentos dos próprios pescadores.

“Os pescadores de bagres de cinco zonas pesqueiras, de Puerto Alegría a Indiana, possuem uma riqueza de conhecimentos e práticas que foi pouco estudada pela ciência e que tem muito a contribuir. Essas pescarias foram amplamente estudadas a partir da ecologia, mas não tanto a partir da gestão”, afirmou Elizabeth Andersen.

Contar com mais informações sobre essas pescarias, suas dinâmicas e suas conexões com outros pontos da bacia permitirá fortalecer a geração de conhecimento e contribuir com informações para a tomada de decisões e a gestão pesqueira na região.

Ao final do encontro, as organizações pesqueiras e instituições participantes acordaram elaborar um roteiro para 2026–2027 e formar um grupo de acompanhamento para dar continuidade aos compromissos assumidos. Esse grupo será integrado por representantes das organizações de pescadores, FIU, IBC, IIAP, WCS e DIREPRO-L.

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