Áreas úmidas costeiras

As áreas úmidas costeiras também são chamadas de áreas úmidas de maré, devido à grande influência que as marés marinhas podem exercer sobre o nível de suas águas e sobre a composição química da água, dependendo se predomina a água doce ou a salobra. As principais áreas úmidas costeiras do estuário amazônico são águas abertas, florestas, planícies interditais lodosas e salinas, e marismas.

 

Conservando la Cuenca Amazónica Aguas Amazonicas

Florestas de maré de ilhas no rio Pará. Estado – País: Pará – Brasil Bacia – Sub-bacia: Estuário – Estuário Sur do Amazonas Altitude: 10 Fotógrafo: Michael Goulding

O estuário amazônico e a região costeira, seja com predominância de água doce ou salobra, possuem grandes extensões de florestas alagáveis. Como a maior parte da área é dominada por água doce, a maioria das florestas alagáveis costeiras apresenta as mesmas espécies de árvores que ocorrem rio acima nas florestas sazonalmente inundáveis. Nas áreas em que predomina a água salobra durante alguns meses do ano, há predominância de mangue. Também existe uma zona de transição, onde convivem o mangue e as espécies das florestas alagadas de água doce.

Independentemente do tipo de vegetação, as florestas costeiras são alagadas duas vezes por dia pelas marés. As marés de sizígia ocorrem duas vezes por mês, em torno dos dias de lua cheia e lua nova, o que gera uma inundação maior das ilhas do estuário.

Grandes extensões da gigantesca Ilha de Marajó, especialmente o setor oeste, também são inundadas pelas marés. As florestas de maré dominadas por palmeiras se desenvolvem mais para o interior, fora do alcance da água salobra, e são comuns, por exemplo, nas ilhas próximas a Belém e ao longo da parte baixa do Tocantins, bem como em alguns arquipélagos ao redor da Ilha de Marajó. Os manguezais são mais abundantes ao longo da costa do Amapá e da ampla abertura da Baía de Marajó em direção ao leste, até a costa do Maranhão.

As planícies de maré lodosas são habitats importantes para várias espécies devido à enorme carga de sedimentos que o rio Amazonas deposita no estuário, bem como aos efeitos da água salobra trazida pelas correntes do Oceano Atlântico. Muitas dessas planícies são colonizadas por aros gigantes do gênero Montrichardia, mas também abrigam animais aquáticos e semiaquáticos, incluindo numerosas aves limícolas, como o espetacular guará (Eudocimus ruber).

Embora a maior parte das praias do estuário amazônico seja coberta por lama, também é possível encontrar praias de areia, especialmente na área da Baía de Marajó. O rio Tocantins, de águas claras, deságua no rio Pará, que depois entra na baía, transportando areia muito fina em direção às margens, onde ela se deposita em praias que não são cobertas por lama.

Da mesma forma, podem ser encontradas áreas planas cobertas por camadas relativamente espessas de argila, que são extraídas para a construção de tijolos e cerâmica. Também há dunas ao longo da zona norte da Ilha de Marajó, que aparentemente se formam a partir da areia transportada pela corrente Sul-Equatorial vinda da área a nordeste da Baía de Marajó. Por fim, no estuário, podem ser encontradas praias rochosas de extensão variada, embora apenas ao longo do setor da Ilha de Marajó voltado para a baía. A rocha que compõe essas praias é normalmente chamada de canga, derivada de solos lateríticos ricos em ferro e alumínio.

 

 


 

TIPOS DE ZONAS ÚMIDAS

Campos e pântanos
Campos e turfeiras andinas
Florestas Alagáveis
Lagos
Paisagens Esturinas
Rios e riachos