Diálogo de Saberes pelos Bagres Migratórios

Diálogo de Saberes pelos Bagres Migratórios
janeiro 28, 2026 Gabriela Merizalderubio
28 de janeiro de 2026

Belém do Pará, Brasil | 20 a 23 de janeiro de 2026

Entre os dias 20 e 23 de janeiro de 2026, a Aliança Águas Amazônicas realizou, em Belém do Pará, o Diálogo de Saberes pelos Bagres Migratórios, um espaço regional de encontro, intercâmbio e construção coletiva que reuniu 19 delegações de pescadores, organizações e aliadas e aliados do Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador e Peru.

O Diálogo foi desenvolvido como parte do terceiro ciclo dos Diálogos de Saberes, uma iniciativa voltada a dar visibilidade e valorizar o conhecimento dos pescadores amazônicos, atores-chave na gestão dos recursos pesqueiros, e a fortalecer sua articulação em escala de bacia.

Conservando la Cuenca Amazónica Aguas Amazonicas

Um processo coletivo para pensar a gestão da bacia

O objetivo geral do encontro foi compreender o que está acontecendo nas diferentes partes da bacia amazônica em relação aos grandes bagres migratórios, identificar as modalidades de pesca, a importância desses recursos e suas principais ameaças, assim como definir prioridades compartilhadas para sua gestão e conservação, reconhecendo a diversidade de contextos locais e sub-regionais.

As e os participantes trocaram experiências locais e colocaram em diálogo realidades diversas da Amazônia, identificando iniciativas e propostas que já contribuem para a gestão das pescarias de espécies migratórias em escala de bacia.

Conservando la Cuenca Amazónica Aguas Amazonicas

Omar Ortuño, pescador boliviano, expondo sua experiência de pesca. Fotografia: © Arthur Menescal / Águas Amazônicas.

Como resultado desse trabalho coletivo, foi priorizado um conjunto de temas estratégicos para avançar na gestão compartilhada dos bagres migratórios amazônicos. Entre eles, destacam-se o fortalecimento da liderança dos pescadores e sua participação nos espaços de tomada de decisão; a gestão colaborativa da pesca, incluindo acordos de pesca locais e transfronteiriços; a conectividade da bacia frente aos impactos da infraestrutura; a contaminação dos rios e seus efeitos sobre as pescarias e a saúde das comunidades; bem como a geração e o intercâmbio de informações para a gestão, considerando os efeitos das mudanças climáticas e a necessidade de normas e regras claras em escala regional.

O trabalho coletivo avançou para a priorização de ações e mensagens de incidência, com uma ênfase clara no que pode ser feito de forma conjunta para fortalecer a articulação entre países e reforçar o papel dos pescadores nos processos de governança dessas pescarias associadas a espécies migratórias.

Conservando la Cuenca Amazónica Aguas Amazonicas

Temas priorizados pelos pescadores e pescadoras. Fotografía: © Arthur Menescal / Águas Amazônicas

Um manifesto para a incidência regional

Como um dos resultados desse processo, as e os pescadores das 19 delegações elaboraram coletivamente um Manifesto Comunitário, que será apresentado na na 15ª Conferência das Partes (COP 15) da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias (CMS).

O texto destaca a importância dos grandes bagres migratórios para a conectividade dos rios amazônicos e para a segurança alimentar, e alerta sobre as ameaças que enfrentam.

O manifesto reúne prioridades consensuadas para a gestão integral e a conservação dos bagres migratórios amazônicos, entre elas a conectividade da bacia frente à infraestrutura, a gestão colaborativa da pesca, uma governança inclusiva e participativa e a contaminação dos rios.

Essas prioridades estão alinhadas aos eixos do Plano de Ação Regional para os Bagres Migratórios Amazônicos, cuja discussão está prevista para a próxima COP 15 da CMS.

Saberes que se encontram para avançar juntos

Este Diálogo reafirmou a importância de construir uma gestão de bacia baseada na conectividade, reconhecendo o papel central dos pescadores artesanais e das comunidades na governança das pescarias associadas a espécies migratórias.

O encontro deixou bases compartilhadas para avançar juntos, fortalecendo vínculos, prioridades e ações de incidência regional que contribuam para a conservação dos bagres migratórios amazônicos e para o bem-estar das comunidades que deles dependem.

Voltar