Comunidades pesqueiras e indígenas retiraram 822 kg de resíduos de rios e margens na Amazônia equatoriana

Comunidades pesqueiras e indígenas retiraram 822 kg de resíduos de rios e margens na Amazônia equatoriana
junho 30, 2026 Gabriela Merizalderubio
30 de junho de 2026

Pelo terceiro ano consecutivo, pescadores e pescadoras da Amazônia equatoriana lideraram mutirões de limpeza em suas comunidades. Mais de 100 pessoas retiraram 822 quilos de resíduos dos rios Napo e Payamino e das margens de Kaputna, nas províncias de Orellana e Morona Santiago. A iniciativa reúne comunidades indígenas e associações de pescadores em torno de um objetivo comum: manter limpos os ecossistemas dos quais dependem seus meios de vida.

Conservando la Cuenca Amazónica Aguas Amazonicas

Limpeza do rio Napo. Fotografia: © Xavier Salazar / WCS Ecuador

Na cidade de El Coca, a Associação de Pescadores Artesanais Río Napo reuniu 48 participantes, entre pescadores, estudantes universitários e jovens de comunidades locais, que retiraram 174 kg de resíduos dos rios Napo e Payamino. Ao longo de um percurso de aproximadamente 15 quilômetros, o mutirão contribuiu para a limpeza de dois importantes sistemas fluviais conectados ao Parque Nacional e à Reserva da Biosfera Yasuní.

No Centro Shuar Kaputna, 65 pessoas — entre pescadores, monitores de biodiversidade, professores e parceiros — participaram do segundo mutirão organizado pela própria comunidade. Nesta edição, foram retirados 648 kg de resíduos dos portos de Kaputna e Peñas, duas áreas estratégicas para o transporte fluvial.

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Monitores comunitários de Kaputna coletando resíduos nas margens do rio. Foto: © Emilia Ulloa / WCS Equador

Os resultados das duas ações revelam uma tendência clara: os resíduos plásticos continuam sendo predominantes. Nos rios Napo e Payamino, foram recolhidos 50 sacos de resíduos, compostos principalmente por garrafas plásticas, embalagens de alimentos, recipientes plásticos de óleos e produtos químicos e fragmentos de isopor (poliestireno expandido).

Em Kaputna, os plásticos também representaram a maior parte dos resíduos, seguidos por vidro, latas, papelão, pneus, roupas e sucata de ferro.

Os mutirões também geraram avanços concretos. Em Kaputna, as autoridades locais do cantão de Tiwintza comprometeram-se a implantar, pela primeira vez, um serviço semanal de coleta de lixo. Além disso, a rádio municipal apoiará a divulgação das próximas ações de limpeza.

Mais do que os resíduos recolhidos, essas iniciativas refletem o compromisso de comunidades indígenas e associações de pescadores com a conservação dos rios amazônicos. Desde 2024, a iniciativa passou a envolver novas comunidades e parceiros e já soma seis mutirões de limpeza realizados no Equador e no Peru. O que começou como uma ação local hoje conecta territórios que compartilham o mesmo desafio: manter limpos os rios dos quais dependem seus meios de vida.

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