Peixes das altas montanhas revelam o estado de saúde das fontes de água que abastecem La Paz

Peixes das altas montanhas revelam o estado de saúde das fontes de água que abastecem La Paz
julho 22, 2026 Gabriela Merizalderubio
22 de julho de 2026

Uma pesquisa liderada pela WCS Bolívia, em coordenação com o SERNAP e o Parque Nacional e ANMI Cotapata, confirmou a presença de Orestias em lagoas de alta montanha e gerou informações essenciais sobre ecossistemas que abastecem a cidade de La Paz com água e alimentam as cabeceiras da bacia amazônica.

 

Pez del género Orestia. Peces encontrados en alta montaña en Bolivia.

Peixe do gênero Orestia. Peixes nativos altamente sensíveis às variações de temperatura. Fotografia: © Camila Ramallo / WCS Bolívia.

Nas lagoas de alta montanha de La Cumbre, nos Andes bolivianos, a quase 4.800 metros acima do nível do mar, vive um pequeno peixe que pode ajudar a compreender como os ecossistemas andinos respondem às mudanças climáticas.

Trata-se de Orestias, um gênero de peixes nativos altamente sensível às variações de temperatura e à qualidade da água, podendo ser considerado um sentinela das mudanças climáticas nesses ecossistemas.

Com a iniciativa “Os peixes mais próximos do céu”, uma equipe de pesquisadores da Wildlife Conservation Society (WCS) Bolívia realizou uma prospecção em diversas lagoas de La Cumbre, uma zona de transição entre os Andes e a Amazônia. O objetivo do estudo foi ampliar o conhecimento sobre a distribuição de Orestias e caracterizar as condições ambientais dos corpos d’água onde a espécie ocorre.

Compreender esses ecossistemas de cabeceira faz parte da abordagem da Aliança Águas Amazônicas para promover o conhecimento e a conservação dos ecossistemas aquáticos de uma bacia conectada, desde os Andes até a Amazônia de terras baixas.

Este trabalho dá continuidade a uma descoberta realizada em 2019, durante o evento Desafio Cidade Natureza, quando foi documentada, em La Cumbre, a população de Orestias registrada na maior altitude da Bolívia, a 4.797 metros acima do nível do mar, um dos registros mais elevados conhecidos para toda a bacia amazônica.

Conservando la Cuenca Amazónica Aguas Amazonicas

Amostragem na lagoa. Fotografia: © Camila Ramallo / WCS Bolívia

Ecossistemas chaves para as pessoas e a biodiversidade

As lagoas estudadas não abrigam apenas espécies únicas. Elas também fazem parte das cabeceiras de bacias que contribuem para o abastecimento de água potável da cidade de La Paz.

As chuvas e o degelo das geleiras alimentam os reservatórios que fornecem água para centenas de milhares de pessoas. No entanto, o recuo das geleiras, a variabilidade climática e atividades como a mineração informal representam ameaças crescentes para esses ecossistemas.

Essas pressões tornam cada vez mais importante a produção de informações sobre o estado desses ambientes para compreender como respondem às mudanças ambientais e contribuir para a gestão sustentável dos recursos hídricos.

Primeiros resultados

Durante a pesquisa, os biólogos confirmaram a presença de Orestias na lagoa Sunturuni por meio de pesca elétrica não letal. Após a captura, a equipe fotografou os exemplares e os devolveu ao mesmo local.

As análises da qualidade da água mostraram que as lagoas mantêm as características típicas de ecossistemas alimentados pelo degelo: águas frias, bem oxigenadas e com baixos níveis de minerais e partículas dissolvidas.

As observações, realizadas com um drone aquático, permitiram identificar ameaças a esses ambientes, entre elas a presença da truta-arco-íris (Oncorhynchus mykiss), uma espécie exótica invasora que pode afetar as populações nativas de Orestias por competição e predação. Também foi registrada a presença de resíduos sólidos, como plásticos e latas, em alguns corpos de água.

Monitorar para conservar

Os resultados desta primeira expedição trazem novos conhecimentos sobre os ecossistemas aquáticos de alta montanha e as espécies que os habitam. O projeto “Os peixes mais próximos do céu” continuará explorando esses ambientes estratégicos para compreender as mudanças que enfrentam e fortalecer sua conservação.

Esta pesquisa foi realizada pela WCS Bolívia, pelo Instituto de Ecologia da UMSA e pelo IRD, no âmbito da Aliança Águas Amazônicas, financiada pela Fundação Gordon & Betty Moore.

 

*Esta nota é uma tradução. A versão original deste documento está em espanhol (disponível aqui).

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