Ictio encerra um ciclo com mais de 648 mil registros de peixes amazônicos

Ictio encerra um ciclo com mais de 648 mil registros de peixes amazônicos
agosto 20, 2026 Gabriela Merizalderubio
20 de agosto de 2026

Conservando la Cuenca Amazónica Aguas Amazonicas

Figura 1 – Em 30 de junho de 2026, quando foi formalmente encerrada a gestão da base de dados Ictio por Cornell Lab of Ornithology, a plataforma reunia 648.081 observações de peixes em 584.945 listas (eventos de pesca). Estas informações foram registradas em 153 (77%) das 198 sub-bacias nível 4 da Amazônia. 

Ictio conta com informações em 153 sub-bacias de quarto nível (BL4)* da Amazônia. Entre as 10 sub-bacias com maior número de registros (Figura 2), destaca-se o ‘Ucayali’, no Peru, com mais de 239 mil registros. Também no Peru, a sub-bacia Amazonas acima de Jandiatuba se destaca por concentrar o maior número de registros provenientes dos aplicativos de coleta Ictio graças aos dados fornecidos por pescadores e cientistas cidadãos a partir de suas atividades de pesca.

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Figura 2 – Sub-bacias BL4 com maior número de registros em Ictio até 30 de junho de 2026.  

Ictio encerra este ciclo com 732 contribuidores. Dentre estes, há instituições de governo, pesquisa e universidades, pesquisadores, associações indígenas e de pescadores, pescadores e demais interessados. Sua participação permitiu construir uma base de dados que integra informações da ciência acadêmica e da ciência cidadã e fornece evidências para a compreensão e a gestão dos recursos pesqueiros. 

Entre os 732 colaboradores, destacam-se três experiências que ilustram a diversidade e a escala das contribuições que tornaram possível construir essa base de dados: entidades governamentais que incorporaram séries históricas de monitoramento; instituições acadêmicas e organizações que integraram informações de diferentes fontes; e associações de pescadores que forneceram dados gerados diretamente a partir de suas atividades.

(i) A Direpro-Loreto, uma instituição de governo com sede em Iquitos, Peru, aportou mais de 500 mil observações, representando um banco de dados contínuo de monitoramento da produção pesqueira de mais de 10 anos; 

(ii) A UNIR, Universidade Federal de Rondônia, e a Ecoporé, uma organização da sociedade civil, ambas de Porto Velho, Brasil, que tem publicado um monitoramento pesqueiro contínuo feito nos portos da região e também dados provenientes de trabalhos com escolas, pescadores artesanais e esportivos coletados com diferentes aplicativos; e

(iii) A UFMT, Universidade Federal do Mato Grosso, e a Colônia Z-16 do Mato Grosso, uma associação de pescadores, ambas de Sinop, Brasil, que publicaram mais de 26 mil registros com as informações de transporte de pescado guardados pela Colônia na bacia do Tapajós, uma região sub-representada na estatística pesqueira.

A contribuição de organizações de base, de indígenas e de pescadores representa outra dimensão fundamental em Ictio. Por meio de atividades de monitoramento participativo e do registro de suas próprias atividades pesqueiras, esses atores incorporaram informações geradas diretamente nos territórios e complementam a base Ictio com valiosa informação de ciência cidadã. Entre eles estão:

(i)  A Associação de pescadores Puma Garza I e pescadores diversos da zona do rio Tahuayo, Peru, com o apoio da WCS Peru, que contribuíram, muitos utilizando Ictio app, com mais de 11 mil registros de suas atividades de pesca; 

(ii) Várias associações de pescadores da região de San Buenaventura e Rurrenabaque (incluindo as associações de pescadores Paiche e El Sábalo; e Quetcha e Jai Hu, de povos indígenas), e comunidades indígenas da Terra Comunitária de Origem TCO Tacana e São José de Uchupiamonas, que, com apoio de WCS Bolívia, aportam registros usando Ictio Anecdata;

(iii) Pescadores do Rio Ichilo, na Bolívia, que, com o apoio da Faunagua, registram suas atividades de pesca há mais de 20 anos e compartilharam suas informações com Ictio; e 

(iv) A Associação de Pescadores Artesanais Rio Napo e o povo indígena do Centro Shuar Kaputna, que, com o apoio da WCS Equador, que compartilham valiosas informações por meio de Ictio app e, mais recentemente, SMART Ictio, e apoiaram os pesquisadores no registro de novas espécies para o Equador

Queremos celebrar e agradecer a todos os cientistas cidadãos que contribuíram para a Ictio! Seus registros forneceram informações inéditas e de grande valor para ampliar o conhecimento sobre os peixes da Amazônia e complementaram os dados gerados por instituições de pesquisa, entidades governamentais e outros atores. A qualidade e o valor dessas contribuições também foram respaldados por análises realizadas com os dados em Ictio. Uma delas mostrou, por exemplo, que os registros de ciência cidadã permitiram ampliar as áreas conhecidas de distribuição de espécies migratórias de importância comercial, como os grandes bagres do gênero Brachyplatystoma (Figura 3).  (Saiba mais aqui).     

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Figura 2 – Sub-bacias BL4 com maior número de registros em Ictio até 31 de março de 2026. 

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Figura 3 – Os dados de Ciência Cidadã em Ictio aumentaram a área de distribuição conhecida de espécies de peixes ameaçadas e de grande importância comercial na região.    

ESPÉCIES REGISTRADAS

Das 122 espécies/grupos de espécies registradas em Ictio, destacam-se a curimatã (Prochilodus nigricans) com 88.345 registros, seguida pelos pacus (Mylossoma sp.) com 36.787 registros e as sardinhas (Triportheus sp.) com 29.953 registros (Figura 4).

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Figura 4 – Espécies/grupo de espécies com maior número de registros em Ictio até 30 de junho de 2026.

A categoria ‘outros peixes’, que agrupa as espécies não incluídas na plataforma, soma 32.365 registros. A base de dados Ictio permitia o registro de 130 espécies ou grupos de espécies em sua plataforma web e 30 em seu aplicativo. O grande número de registros enquadrados como ‘outros peixes’ reflete, entre outros fatores, a imensa diversidade de espécies da bacia Amazônica, incluindo espécies de interesse comercial. A nova infraestrutura permitirá ampliar as possibilidades de registro e consulta de informações sobre todas as espécies descritas para a Amazônia. 

 

Ictio e o futuro Observatório Águas Amazônicas

Construído sobre as aprendizagens e a experiência de Ictio, o Observatório Águas Amazônicas integrará seus dados e aportará informações no Sistema Global de Informação sobre Biodiversidade (GBIF), uma rede internacional financiada por governos de todo o mundo que disponibiliza dados abertos sobre a biodiversidade. O Observatório encontra-se atualmente em sua etapa final de desenvolvimento e, quando estiver em funcionamento, será administrado pela WCS, organização anfitriã da Aliança Águas Amazônicas.

Essa nova estrutura de publicação de dados permitirá um maior acesso dos dados para pesquisadores, tomadores de decisão e gestores públicos, dará maior reconhecimento para as organizações que publicam dados e permitirá um seguimento de onde os dados estão sendo utilizados. Ao mesmo tempo, será mantida a política de acesso de dados e preservação de informação sensível estabelecida na plataforma Ictio, enquanto avançam novos acordos para a gestão de dados. O Observatório Águas Amazônicas também contará com um painel de informações de fácil navegação para consultas abertas ao público.

É importante destacar o apoio da Fundação Gordon e Betty Moore no desenvolvimento dessas iniciativas, que buscam contribuir com o entendimento de como funcionam as migrações de peixes na Bacia Amazônica e fortalecer a gestão integrada de seus recursos pesqueiros. Esse apoio foi importante para impulsionar processos que articulam geração de dados, ciência cidadã e desenvolvimento de ferramentas para melhorar o conhecimento dos ecossistemas aquáticos amazônicos.

*(Saiba mais sobre a classificação de bacias utilizada por Ictio em Venticinque et al., 2016 – ‘Novo Sistema de Informações Geográficas (SIG) sobre rios e bacias para a conservação de ecossistemas aquáticos na Amazônia’).

GLOSSÁRIO

Listas: Listas de peixes capturados em um evento de pesca.

Bacias BL4: O nível de bacia 4 é a escala que delimita todas as sub-bacias tributárias entre 10.000 km² e 100.000 km².

Observações: Registros de espécies/grupos de espécies de peixes capturados na Bacia Amazônica.

Usuários: Usuários – cidadãos amazônicos que utilizam o aplicativo ou a plataforma ICTIO; é composto principalmente por povos locais e indígenas, pescadores, grupos de gestão, associações de pescadores e cientistas.

 

Conservando la Cuenca Amazónica Aguas Amazonicas

Esta nota foi possível graças ao apoio da Fundação Gordon e Betty Moore.  O conteúdo é de responsabilidade da Wildlife Conservation Society, não necessariamente reflete a visão da Fundação Moore.

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